O guia do santuário ecológico

O guia do santuário ecológico

Científico

Artigos
Estudos

Busca

Galeria de Fotos

Ecoturismo PDF Imprimir E-mail

O Pantanal ocupa uma posição geográfica privilegiada no mapa, bem no centro da América do Sul. É rodeado a oeste pelo Chaco paraguaio e boliviano, ao norte pela Floresta Amazônica e ao sul a leste pelo cerrado. Essa particularidade faz com que a natureza ali seja uma combinação de todos esses sistemas, com pinceladas da Mata Atlântica e até da caatinga nordestina. Da mesma forma como lá existem vitórias-régias, buritis e figueiras, podem ser encontrados neste imenso país encharcado mandacarús e juazeiros, plantas típicas do nordeste. Dos grandes mamíferos até seres microscópicos, quase toda a fauna brasileira está ali representada.

A vazante é a grande celebração da natureza do coração do Pantanal. Nesta época do ano, nuvens compactas de pássaros dominam a paisagem e a algazarra deles quebra o silêncio da planície pantaneira, do alvorecer ao pôr-do-sol. À beira das lagoas, as aves disputam os peixes com ariranhas e jacarés num espetáculo único. Essa incrível explosão de vida selvagem coincide com as férias do meio do ano e o início da temporada de turismo no Pantanal. Para quem gosta de contato com a natureza, é um paraíso, onde a vida animal se exibe diante dos olhos do visitante. A natureza deslumbrante proporcionada pela abundância da água cria um cenário em que o ecoturismo seja o futuro mais promissor do Pantanal.

Ecoturismo

Para receber o ecoturista, o Pantanal está passando por uma transformação profunda. Fazendas estão sendo adaptadas para funcionar como pousadas. Hotéis pesqueiros que até então só atendiam turistas pescadores, voltam a sua atenção aos ecoturistas. Peões pantaneiros e piloteiros pescadores que sempre viveram do trato do gado e da pescaria, estão recebendo cursos de formação de guias turísticos.

A drástica mudança climática ocorrida nos últimos 25 ano levou a região a viver um ciclo de cheia prolongado, como nenhum outro observado neste século. Além de inundações e vazantes anuais, o Pantanal sempre teve grandes períodos de cheias e secas mais acentuados. São ciclos que duram entre dez e vinte anos nos quais as águas inundadas aumentam ou diminuem de acordo com o regime de chuvas e de vazão dos rios. Isso sempre aconteceu, mas nada que se compare ao atual ciclo de cheia. Ele começou em 1974. Já dura um quarto de século, um recorde desde que as medições hidrológicas começaram a ser feitas na região.

Curiosamente, todas essas mudanças têm contribuído para o crescimento do turismo no Pantanal. O clima inóspito, a natureza agreste, as imensidões inundadas, o isolamento - foi isso que garantiu a preservação do Pantanal até hoje. Nenhuma outra região brasileira, nem mesmo a Amazônia, continua tão intocada quanto a planície pantaneira.

A crise da pecuária, por sua vez, está obrigando os fazendeiros a procurar novas alternativas de sobrevivência. Muitos deles estão transformando a própria sede da fazenda em pousada adaptando seus quartos para receber os turistas com toda simplicidade da vida rural. Ao mesmo tempo, um grande números de hotéis pesqueiros aproveitando a estrutura existente para atendimento do turista pescador abre espaço, em determinadas épocas, ao ecoturista.

A pesca no Pantanal, no sentido mais amplo, é uma atividade extrativista. Apesar das limitações impostas ao pescador amador e proibição na época da piracema, a cada ano são retiradas cerca de 3000 toneladas de peixes da região. Ainda assim, trata-se de um volume muito grande para um ecossistema tão frágil. O resultado é que em muitas regiões, os peixes estão ficando menores e cada vez mais escassos. Ao longo dos anos contata-se que o número de pescadores aumentou e o peixes diminuiram tanto no seu tamanho quanto na quantidade. Esse é o principal indicativo de que a espécie não é mais tão farta hoje quanto era antigamente.

Para desespero do proprietário do hotel-pesqueiro e desânimo do turista-pescador que veio ao Pantanal embalado no grande sonho da bela, farta e fácil pescaria vista num programa de televisão, o grande peixe sumiu. Dentro dos inúmeros proprietários de hotel pesqueiro há quem diga: "Devemos, gradativamente, fazer da visita do turista- pescador ao Pantanal, uma jornada de programas em que se misturam pescaria esportiva, ecoturismo, safáris fotográficos e aventura. Aos poucos, conscientizar o turista- pescador que o sonho acabou. E a realidade que devemos encarar, com arrependimentos, aqui no Pantanal é que o que restou é a natureza, as paisagens e, principalmente, uma grande lição para casa: a ecologia". Diz o empresário paulista Ocimar Veronezzi que há dez anos abriu a Pousada Jund Pesca, às margens do rio Paraguai, em Porto Morrinho e recebe só no mês de julho, cerca de 500 turistas pescadores esportivos e amadores. "A estrutura do hotel, a localização e a realidade facilitam o caminho para o ecoturismo. Só vai depender da cabeça do turista" - acrescenta o empresário.

Por enquanto, a maioria dos visitantes ecoturistas verdadeiros ainda vem de fora do Brasil. "O ecoturismo é uma atividade muito profissional lá fora", conta Marherval Cortes Sigaud, um ex-industrial do Rio de Janeiro que há vinte anos tem uma pousada às margens do rio Cuiabá, no município de Barão de Melgaço, onde cobra 100 dólares a diária, e 95% dos turistas são estrangeiros. "Eles pagam tudo adiantado e adoram isso aqui", diz Marherval.

Em alguns anos de funcionamento, o Hotel Recanto Barra Mansa, situado às margens do rio Negro, uma das regiões mais bonitas do Pantanal, recebeu turistas de trinta países diferentes. Atender toda essa gente exige uma operação logistica complicada.

Hoje existem acomodações para todos os gostos e orçamentos no Pantanal. Muitos deles são lugares rústicos, sem grande conforto, mas onde se pode contemplar a natureza em todo o seu esplendor  e na companhia de gente que conhece bem a região.

 
 
Joomla 1.5 Templates by Joomlashack