O guia do santuário ecológico

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Rios Correntes - Piquiri - Itiquira PDF Imprimir E-mail

A bacia hidrográfica formada por estes três rios está intrínsecamente ligada a um peixe nativo da bacia Amazônica e que, sem querer, desceu ou apareceu no Pantanal e agora alguma coisa começa a acontecer - já se percebe a grande interferência na ictiofauna da região com a diminuição de pacús, pintados, dourados, sardinhas e lambaris.

Na década de 70, na região dos rios Piquiri-Itiquira, mais precisamente na Fazenda Santo Antonio do Paraiso, próximo à divisa dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ocorreu um fato que ainda intriga pescadores, fazendeiros e cientistas. O tucunaré ( Cichla ocellaris ) foi introduzido pela ação do homem no Pantanal comprometendo irreversívelmente a ictiofauna da região. Para alguns este fato é motivo de intensa alegria - imaginem pescar num mesmo rio, peixes nobres como o dourado, pintado, pacú e o tucunaré. Para outros, o fato é analisado com cautela e pesar.

O tucunaré


É um peixe originário da bacia Amazônica e lá vive desde épocas remotas, muito provávelmente antes mesmo dos índios habitarem a região. É um predador respeitável que ataca preferencialmente os pequenos peixes que estejam ao seu alcance. Não distingue qual vai ser a sua próxima vítima, se vai ser uma piaba ou um filhote de dourado, mas sim aquela que estiver ao seu alcance e em maior quantidade.

Segundo estudos publicados no último Congresso da S.B.I. (Sociedade Brasileira de Ictiologia), constataram que nos itens alimentares do tucunaré, de uma dada região, este se alimentava de 10 espécies de peixes pertencentes a 10 famílias; apresenta aproximação sorrateira ou perseguição ativa. A alimentação é baseada na ictiofauna do ambiente em que se encontra.

Imaginem agora o que o tucunaré, que habita preferencialmente as lagoas e baías, não faria, na época das cheias, quando a maioria das espécies pantaneiras estão se reproduzindo ou com os filhotes que estiverem crescendo nestes ambientes. Imaginem, ainda, o tucunaré que pode chegar a se reproduzir mais de uma vez por ano (dependendo das condições ambientais), enquanto que a grande maioria das espécies pantaneiras desovam uma única vez, em grande quantidade e não cuidam de sua prole, ficando esta à mercê dos predadores.

Dificilmente o tucunaré chegará a extinguir alguma espécie do Pantanal, mas representará sempre uma ameaça ao equilíbrio ecológico do ambiente aquático da região em que vive. Ele altera o ambiente na medida em que compete por alimentos e espaço com outras espécies predadoras, levando a uma modificação dos estoques (alevinos) das espécies que se reproduzem na região.

O tucunaré tem preferência a águas com maiores índices de transparência (para localizar as presas) ficando restrito a essas áreas. Também não resiste a temperaturas inferiores a 16*C. O inverno no Pantanal chega a ter temperaturas mais baixas. Isso poderá ser uma barreira à dispersão deste peixe por todo o Pantanal. As perspectivas não são muito boas, mas contemos, mais uma vez, com a ajuda da mãe Natureza para auxiliar e proteger o ecossistema pantaneiro

Os domínios do tucunaré


Atualmente, o domínio do tucunaré no Pantanal ainda se restringe a bacia dos rios Correntes, Piquiri e Itiquira, ao longo da divisa dos dois estados Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Há quase duas décadas desde o surgimento do tucunaré na região, estabeleceu-se, naturalmente, certos limites desse domínio. Na busca de um habitat ideal, o tucunaré encontrou lagoas e baías com águas transparentes ao longo do rio Correntes encontrando como limite superior um obstáculo natural que é o "sumidouro", próximo à cidade de Sonora. Este domínio tem como limite inferior a última grande baía na borda do rio Itiquira (ou Piquiri) , precisamente na Fazenda Puleiro Grande, já nas proximidades da confluência dos rios Itiquira (Piquiri) e Cuiabá (São Lourenço) e próximo também de Porto Jofre.

Como chegar ao tucunaré pantaneiro

Existem quatro maneiras ou rotas mais fáceis para se chegar ao tucunaré do Pantanal.

  • Via Porto Jofre - Subindo o rio Cuiabá ( São Lourenço ) e depois na confluência tomar à direita subindo o Itiquira (Piquiri) até a Fazenda Puleiro Grande. Existem, como alternativa, vários barcos-hotéis que chegam até aí para pescarias de dourados e pacús. Alguns deles, com barcos pequenos, chegam a levar os turistas até as baías da Fazenda Puleiro Grande em busca do tucunaré.
  • Via Sonora - Pela BR-163, chega-se a Sonora, cidade localizada a 360 km de Campo Grande. O rio Correntes atravessa a BR-163 nos arredores da cidade. Para chegar a Porto Bispo, na margem esquerda do rio Correntes, tenha como referências a Usina de Cana, a Fazenda Horizonte e a Fazenda São Bento. São cerca de 30 km por estrada de terra, entre canaviais, duas porteiras e depois uma brusca mudança de paisagens : da lavoura intensiva da cana à vegetação típica pantaneira e, com sorte, araras azuis e amarelas no topo dos buritis.
  • Via Piquiri e Itiquira - Duas outras maneiras mais difíceis de se chegar ao tucunaré são as estradas de terra que margeiam os rios Piquiri e o Itiquira. Antes de cruzar o rio Piquiri, pela BR-163, existe uma variante de terra à esquerda que é o acesso às inúmeras fazendas do Pantanal. O caminho atravessa inúmeras porteiras, sempre margeando o rio Piquiri, por centenas de quilômetros, podendo acessar qualquer ponto ou pesqueiro, situado na margem esquerda deste rio. O último caminho tem acesso também pela BR-163, nas proximidades da cidade de Itiquira. Da mesma forma, a estrada margeia o rio Itiquira, pela margem direita, indo até a confluência deste com o rio Piquiri sem antes atravessar centenas de porteiras que ligam as inúmeras fazendas ao longo da estrada de terra. Próximo à confluência do rio Itiquira com o rio Piquiri existe um pesqueiro denominado "Pesqueiro do Osvaldo".
 
 
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